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11
jan

A Função do Adoecer

Como algo tão ruim como adoecer pode ter uma funcionalidade? Ter uma função implica em algo positivo, não é mesmo? Pois bem, neste caso, destacamos a ocorrência do “adoecer” como um alerta que o corpo dá para dizer que algo não está certo. E um dos alertas mais comuns atualmente é o estresse.

Termo cunhado por Hans Selye, em meados do século XX, para designar um “estado de tensão não-específico de um ser vivo, que se manifesta por mudanças morfológicas tangíveis, em diferentes orgãos, e particularmente nas glândulas endócrinas”, o estresse é um estímulo necessário ao ritmo da vida, mas seu excesso é nocivo, porque o organismo não consegue lidar com ele.

A angústia por conta de traumas do passado ou medo do futuro, perdas concretas, catástrofes naturais, insatisfações com aspectos profissionais, decepções amorosas, conflitos com a família, filhos ou amigos, além de mudanças na vida, são alguns dos agentes estressores.

A doença começa muito antes dos sintomas físicos tornarem-se visíveis. O desequilíbrio da homeostase do organismo sinaliza a crise de diversas formas. E o órgão de choque, aquele mais suscetível ao adoecer, é o lugar escolhido para o colapso. Pode trazer um sossego forçado, pois protege contra o mundo exterior, às vezes sentido como agressivo, ou protege contra sensações internas que são momentaneamente insuportáveis. Os sintomas podem ser “lidos” como representações de afetos encapsulados.

Para tratá-la, indica-se sessões de terapia para examinar toda a gama de afetos, imagens e significados que os sintomas podem conter. Muitas vezes, basta perguntar pela finalidade de um sintoma para eliminar ou melhorar a sensação subjetiva da doença localizada.

Na relação com o analista ou terapeuta, novas possibilidades de compreensão dos processos de vida são despertadas na psique do paciente e do terapeuta, e esse processo favorece muito o tratamento médico. Fazem parte também das tarefas do terapeuta o reconhecimento e a superação das resistências do paciente ao tratamento, ajudando-o a compreender o conflito subjacente à doença.

Vivências traumáticas inundam o aparelho psíquico de estímulos, que encontram três vias de elaboração e descarga: a mental (pensamentos, sentimentos, fantasias), a motora (ações, movimentos) e a somática (adoecer). Por isso, é necessário uma espécie de drenagem do excesso de excitação-tensão.

A doença traz a marca do desamparo, asssim, é preciso de outros profissionais da saúde: médico, enfermeiro, psicólogo e fisioterapeuta para ajudar a pessoa a curar-se. Afinal, sentir que está sendo cuidado e escutado favorece muito a melhora.

Inúmeras pesquisas apontam para a influência dos fatores emocionais e psicossociais sobre o funcionamento imunológico. Essas pesquisas levaram a criação de um novo campo de pesquisas: a neuropsicoimunologia, que trabalha os estudos e o desenvolvimento de abordagens profiláticas e diagnósticas das doenças de origem imunológicas, neuroendócrinas e psicológicas.

É necessário uma medicina que dialogue com outras áreas de pesquisa, como a psicologia, a filosofia e a antropologia para se aproximar da complexidade e imprevisibilidade do humano. A doença faz parte de uma dinâmica complexa e integrada, na qual participam simultaneamente fatores biológicos, afetivos e sociais.

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